sexta-feira, 25 de junho de 2010



A FERA NA SELVA
"Você tem medo?", ela perguntou.
"Não me deixe agora", prosseguiu ele.
"Você tem medo?", repetiu ela.
"Você acha que simplesmente perdi o juízo?", insistiu ele, em vez de responder. "Pareço a você um mero lunático inofensivo?"
"Não", disse May Bartram. "Eu o compreendo. Acredito em você."
"Você quer dizer que sente que minha obsessão - essa pobre obsessão! - talvez corresponda a uma possível realidade?"
"A uma possível realidade."
"Então você vai ficar à espera comigo?"
Ela hesitou um pouco e em seguida fez pela terceira vez a pergunta: "Você tem medo?".
"Eu lhe disse que tinha, em Nápoles?"
"Não, não disse nada desse gênereo."
"Então não sei. E gostaria de saber", disse John Marcher. "Você mesma me dirá, se achar que tenho medo. Se esperar comigo saberá."
"Muito bem, então". Eles vinham, a esta altura, atravessando a sala, e junto à porta, antes de sair, fizeram uma pausa, como que para chegar ao desfecho completo de seu entendimento. "Ficarei à espera com você", disse May Bartram.

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