terça-feira, 28 de setembro de 2010



"Como o Senhor decerto já sabe, seu filho tem tendências a euforias súbitas, seguidas de depressões; um dia trabalha com fúria e, no seguinte, poderá ser culpado de indolência; deixa-se extravasar, de vez em quando, em explosões de mau gênio durante as quais sua linguagem se torna vulgar e à sua conduta falta tato - para dizer o mínimo - e depois, derrama lágrimas de arrependimento sincero. Porém, tudo isso é muito comum em todas as crianças em idade de crescimento acelerado, e não merece mais do que geralmente faço em tais situações: um chamado à ordem através de uma ou duas palavras duras - ou, no máximo uma punição leve, uns poucos golpes de vara em seus dedos, ou a suspensão de algum privilégio como, por exemplo, sua participação nas danças e peças que são constantemente ensaiadas aqui para a apresentação durante os diversos festivais. E não há coisas de que seu filho mais goste do que essas exibições teatrais. Posso mesmo dizer que constituem seu único interesse verdadeiro. E com as ameaças de privá-lo de seu papel em tais atividades, tenho conseguido controlá-lo."



jovem padre preceptor ao pai de Marquês de Sade


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