A sociedade que conhecemos e que chamamos de histórica é uma sociedade da posse; o objeto vale enquanto pode ser possuído por um sujeito. Mas, uma vez que o objeto é um conjunto de relações, possuindo o objeto, o sujeito possui algo que vale também para os outros, para todos. Numa civilização da posse, há quem possua e quem faça que outro possua. Mas quem faz possui a técnica de fazer objetos e, portanto, teoricamente, todos os objetos que pode fazer: cada objeto foi possuído por quem o fez antes de qualquer outro. Por fim, o sujeito coloca todo o mundo como objeto possuído (a mimese clássica é a maneira de possuir a natureza) e faz que ele próprio, como sujeito universal, corresponda ao objeto universal. Nesse estágio, o poder ainda não está separado do fazer, como poder fazer. O faber, na figura de Hefesto, é um deus; nas culturas primitivas, é um ser dotado de poderes mágicos. A distinção entre aquele que pode fazer e aquele que pode fazer com que se faça nasce com o contrato social, com o qual se confia a alguns membros do grupo a tarefa, não mais de fazer, mas de garantir a segurança de quem faz. É a distinção, ainda em ato, entre o faber e o guerreiro, ou o político.
em história da arte como história da cidade de giulio carlo argan
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