segunda-feira, 31 de março de 2014

Estimação





















































Em 2010 montei a videoinstalação "Estimação" na galeria do DMAE em Porto Alegre. O trabalho foi apresentado durante a exposição coletiva Alteridades Habituais na qual participavam Isabel Ramil, Juliano Ventura e Letícia Bertagna, amigos artistas colegas de faculdade com os quais sempre tive o prazer de trabalhar e dialogar. A videoinstalação "Estimação" foi um de meus primeiros trabalhos expositivos e foi construída com alguns objetos retirados do ambiente particular da minha casa: uma gaiola de meu avô, uma luminária montada por minha mãe, um aquário e a televisão da sala. Dentro da gaiola coloquei um pequeno balão, objeto banal usualmente utilizado como decoração efêmera. O vídeo foi gravado na própria galeria durante o período de montagem da exposição. Na TV a imagem mostrava o balão, que havia sido enchido com leite de vaca, sendo furado por mim, provocando um vazamento esfumaçante que durava 30 minutos. O vídeo terminava com a água do aquário totalmente turvada pela névoa leitosa. Ao mesmo tempo, durante o período da exposição, o balão intacto da gaiola "real" era encoberto pelo esverdeamento da água e pela ferrugem. Com este trabalho eu investigava algumas relações entre contemplar, mostrar, esconder, guardar, prender, reter, cultivar, cativar, estimar... Estas ideias partiam de pensamentos e questionamentos acerca da prática artística e também de práticas do cotidiano comum, tais como a criação/domesticação de animais em cativeiro e o acúmulo de objetos pessoais. Hoje não sei se este trabalho faz tanto sentido para mim, mas de qualquer forma ele é especial. Recentemente, revendo meus arquivos, reencontrei este vídeo com um trecho do vídeo exibido na exposição. Senti vontade de mostrar minha "Estimação" de novo e resolvi postar aqui neste blog que é como esta videoinstalação de 2010, algo já-sem-sentido-mas-não-descartável. Acho que é isso, este post é sobre coisas que parecem longe, mas que estão sempre por perto; que parecem sem sentido, mas apenas tem outros sentidos ainda não pensados. Na verdade, este post é sobre saudade, amor e orgulho.

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